Sunday, May 27, 2007

BOBBY


BOBBY ****

Bobby foi indicado ao globo de ouro 2007 de melhor filme drama, e até então não aportou nos cinemas nacionais, sabe-se lá porque. A boa notícia é que esta obra-prima de Emilio Estevez deve estrear em julho próximo.
Bobby não tem a menor pretensão de ser um filme político ou uma crítica, mas como as guerras incansáveis de Bush, é difícil não achar que Bobby acerta como um soco no estômago da política norte-americana atual gerando mais e mais perguntas sobre o que é certo ou errado afinal. Em um governo que esbanja crueldade e violência, degrada a imagem de imigrantes, negros, pobres nada de bom têm a oferecer a sociedade; certamente um governo pelo qual Robert Kennedy sempre abominou e pelo qual lutou até o fim de seus dias para que seu país fosse um lugar cheio de esperança e trabalho, pelo qual seus cidadãos se orgulhassem.
Emilio Estevez que permaneceu muito tempo afastado das telas aparece com esse longa espetacular e chocante sobre a vida deste homem, talvez o maior que já existiu. Com um elenco estelar que inclui Anthony Hopkins, Demi Moore, Hether Graham, Joshua Jackson, Lindsay Lohan, Ashton Kutcher, Helen Hunt, William H. Macy, Sharon Stone, Elijah Wood e o próprio Emilio, cada um se encaixando perfeitamente em seu papel. Não há um personagem principal. O personagem principal aqui é Bobby, que o diretor fez questão de mostrar ele como realmente era, utilizando imagens reais do senador em campanhas; um truque bastante sábio e que funciona ainda melhor na tela.
A História gira em torno de todas essas pessoas reunidas cada uma por um motivo no hotel onde haverá a festa para Kennedy, o futuro presidente dos Estados Unidos. O filme tenta equilibrar a política e os problemas que ela causa na vida de cada personagem. Jamais imaginei que Lindsay Lohan tivesse um por cento que talento que ela demonstra ter aqui. Joshua Jackson, grande amigo do diretor, com quem trabalhou na trilogia Mighty Ducks, aquele sobre um time de hóquei, é o manda-chuva da campanha de Bobby, por quem demonstra uma grande admiração. Elijah Wood (sempre excelente) está de casamento marcado, tentando fugir da guerra que se aproxima,e vive em conflito achando que está sendo injusto com sua noiva. Demi Moore é a estrela da noite, uma mulher que vive chapada para não precisar encarar a vida como ela é. Sharon Stone sofre na pele da mulher traída e Ashton Kutcher tenta equilibrar todo esse drama com seu hippie drogado (algo que causa o efeito contrário e torna o filma um pouco mais lento). Helen Hunt tenta buscar algum sentido na vida fútil que leva ao lado do marido Martin Sheen.
Em busca de uma coesão perfeita, o diretor deixa o clímax pro final, deixando o espectador com o coração na mão, ansioso pelo que vem a seguir. Embalado por uma trilha magnífica e um discurso de Bobby que leva o público às lágrimas, Estevez criou uma obra estupendamente chocante e de uma importância que o mundo nem imagina.
NOTA: 8.5
ANDRE NEGREIROS
27.05.2007

Saturday, May 05, 2007

HOMEM-ARANHA 3


HOMEM-ARANHA 3 **

Mais de 12 horas se passaram e até o devido momento me recuso a acreditar que matei aula para ir a estréia desse blockbuster inútil, que conseguiu a façanha de ser pior que o primeiro filme da série, algo que eu julgava ser um fato impossível de acontecer. Não é. Homem-aranha 3 é tão cheio de artimanhas e palhaçadas que torna o filme um osso duro de roer. Explicando melhor: O início já é um tanto desperdício de tempo (e muuuuuito dinheiro); a batalha entre o aracnídeo e seu melhor amigo Harry (que agora resolveu assumir a identidade do pai e se tornou o duende verde jr), é tão inverossímil que fica difícil crer no que os olhos vêem. Acho também que os produtores resolveram pegar emprestado uns poderes de Halle Berry e implantar no Aranha; Peter parker agora tem sete vidas, sabiam? Nesse caso sugiro um novo nome para o próximo filme: Homem-Gato. Imaginem como seria de arrasar um filme estrelado pelo homem e pela mulher-gato! Quem sabe daria uma historia mais digerível.
Peter, se tornando cada vez mais estrela na cidade, sucumbe aos deletérios da fama e esquece dos sentimentos reais que guiavam sua força e sua vida. Nem mesmo atenção devida a Mary Jane ele dá. A fama muda mesmo as pessoas.
Chega o momento que a policia descobre que quem matou o tio Bem, não foi o cara que foi preso e que o assassino continua solto, é quando Parker nutre o desejo de vingança e começa a mostrar uma faceta ate então desconhecida. A partir daí o filme derrapa em clichês atrás de clichês se não consegue retomar as rédeas da situação nem no final.
Para quem pensava que Harry era o vilão que o Spider precisava enfrentar engana-se, O homem-de-areia surge não para matar o herói, mas apenas porque ele precisa salvar a filhinha (tão comovente que estou em lagrimas). Não! Ainda não acabou. Uma ameaça vinda do espaço, gruda do homem-aranha, mudando a cor de sua roupa e seus jeitos (parker vira emo e as piadas me incomodaram a ponto de querer sair da sessão) sem saber o que está havendo consigo mesmo ele não reluta em magoar as pessoas que ama( algo que ele terá de reverter até o fim do filme, que infelizmente ainda está longe).
O filme tem batalhas demais e vilões demais, o que torna-o muito cansativo e confuso. Kirsten Dunst está linda como sempre exibindo com orgulho sua linda pele branca, e Topher Grace (o Venom) está perfeito no papel. São os únicos atrativos do filme. Como pode tanto dinheiro estragar de vez um longa? Pequenas obras primas não chegam a custar nem ¼ do filme mais decepcionante do verão.

NOTA: 4.0
ANDRE NEGREIROS