Saturday, October 28, 2006

SERPENTES A BORDO


SERPENTES A BORDO **

Serpentes a bordo têm tudo pra se tornar um cult, de tão absurdo que é. Infelizmente não posso chegar a considera-lo um filme ruim, simplesmente porque ele não se leva a sério em momento algum. Não assusta, tampouco causa a platéia asco ao ver cobras passeando sorrateiramente pelos corpos das vitimas, ao contrário é um filme divertido e engraçado; me peguei rindo a sessão inteira.
Logo ao início da projeção, você já percebe que não está assistindo a um suspense, ou ao menos passou pela sua cabeça ter entrado na sala errada. O que você está prestes a ver é uma descontraída sessão da tarde regada a muitas gargalhadas.
No Havaí, enquanto pratica seu surf, garoto é testemunha de um assassinato. (pela cena que o diretor entrega você chega a pensar que o garoto e a vítima se conheciam, coisa que não fica clara em momento algum). É claro que ele é visto fugindo e acaba sendo perseguido até seu apartamento. Com uma ridícula desculpa, Samuel L Jackson entra em cena salvando o garoto dos bandidos e o convence a ir até L.A. depor contra o criminoso asiático, cuja polícia não consegue capturar. O vilão então parte para um plano mirabolante! Encher o avião de cobras das mais variadas espécies, presas em um compartimento programado para abrir em pleno vôo.
Sem deixar passar um clichê em branco, o longa reúne uma penca de desconhecidos prestes a serem comidos pelas víboras.
E o avião? Conseguirá chegar a Los Angeles a salvo?
Se depender do playstation, pode ate ser.
Você vai perceber que valeu a pena quando sua barriga se contrair de tanto rir.

NOTA: 5.0
ANDRE NEGREIROS

Sunday, October 08, 2006

VÔO UNITED 93


VÔO UNITED 93 *****

Chegando na mesma época aos cinemas Vôo 93 e As torres gêmeas tratam da tragédia ocorrida em 11 de setembro, um dia que ficará na história e em nossas mentes para sempre. Ao contrario de seu concorrente, Vôo 93, tem como tema central o quarto avião seqüestrado e o único que não atingiu seu alvo.
No início da projeção somos apresentados aos quatro terroristas, fazendo seus rituais, planejando um crime perfeito, uma devastadora tragédia que irá abalar o mundo. Podemos ver como era fácil embarcar em um avião carregando maletas ou qualquer outra bagagem de mão. Situação que definitivamente mudou muito desde então.
A torre de controle perde informações sobre um vôo e pelas suspeitas conversas no rádio, acreditam que estão diante de um possível seqüestro, o que os obriga a atrasar a decolagem do United 93 e de outros aviões em New York.
A falta de informações deixa todos em alerta máximo e causa agonia, inclusive na platéia. E os arrepios tomam conta quando dois aviões se chocam contra o World Trade Center, deixando todos boquiabertos. Já no ar em sem saber de uma virgula, o United 93 nem imagina o que está pra acontecer, o que causa um certo incômodo no espectador, que presencia os planos dos passageiros, falando dos bebês que acabaram de nascer, e por aí vai. O pior de tudo é saber o destino predestinado da aeronave.
Com o tempo passando e um dos terroristas não sabendo exatamente se queria ou não agir. Pelo menos é o que passa. Os outros três tomam partido e dão voz de seqüestro um deles com uma bomba amarrada na cintura. O pânico toma conta do avião mais ainda quando um passageiro é esfaqueado. Entrando na cabine do piloto dois deles agora pilotam a aeronave em direção a Washington, mudando o curso, causam uma desconfiança na torre de controle, perdida em meio a tantos seqüestros num mesmo dia. Sem a ajuda do Presidente, que estava mais preocupado em ler historinhas pra crianças o diretor da torre toma uma atitude drástica tentando evitar um estrago ainda maior.
A partir daí o filme foca apenas a situação dentro do United 93. Sabendo que não sairão dessa ilesos, eles bolam um plano de tomar o avião das mãos dos terroristas, o que provoca uma tensão inacreditável na platéia, como se você estivesse dentro da aeronave. Enquanto os passageiros ligam do avião para as famílias se despedindo, (não há como não chorar, e muito) um grupo deles aguardam o momento certo de contra-atacar, o espectador não vê a hora de poder respirar de novo, pois a tensão cresce mais e mais quando o fim se aproxima.
Acredito que neste ano, Vôo United 93 foi o primeiro filme que me fez chorar de uma forma que eu não esperava.
Sem um astro no longa, o diretor Paul Greengrass(de a Supremacia Bourne) nos entrega um que pode ser o melhor filme do ano 2006; mais três meses e saberemos. Espero que a Academia não o deixe passar em branco. Inacreditável, excelente, soberbo.

NOTA:10

ANDRE NEGREIROS 08.10.06

GHOST WORLD


GHOST WORLD ****

É uma pena que este filme não tenha chegado aos cinemas brazucas nem mesmo as locadoras. Durante uma pesquisada nos dvds das lojas americanas, encontrei este filme num balaio de gato por apenas 9,90. Fiquei em estado de êxtase porque havia muito tempo que eu queria vê-lo. Thora Birch fez parte da minha infância e eu não veria logo o filme pelo qual a moça é indicada para o globo de ouro? Não é justo, concorda?
E não é exagero algum, Ghost World é realmente o melhor trabalho da atriz, que se mostra madura o suficiente para escolher seus trabalhos. Filmes de baixo orçamento, mas belíssimos, este aqui com uma certa dose de nostalgia.
Duas amigas, Enid (thora birch) e Rebecca (Scarlett johansson), terminal o colegial e tem grandes planos pro futuro, Rebecca é centrada e tem objetivos traçados, Enid é problemática e necessita de atenção. Durante as férias enquanto Rebecca pleneja morar sozinha com a amiga, Enid se envolve com um quarentão amante de musica, chamado Seymour (steve buscemi, também em interpretação indicada ao globo de ouro) e faz parte das aulas de artes por seu baixo rendimento na matéria. Rebecca começa a trabalhar e Enid sempre é demitida por suas convicções e com o tempo começa ver em Seymour um amigo que jamais imaginou, e pensar que o conheceu de uma maneira inusitada, senão cruel. Mas as grandes amizades nascem mesmo de bizarras situações não é mesmo? Como se seu melhor amigo, a pessoa que você mais conhece na vida não tivesse nada mais a acrescentar e você procurasse novas experiências de vida, até o ponto em que você não sabe mais o que quer. A melancolia do filme seja talvez sua parte mais acertada. Não é exatamente um dramalhão adolescente bobo sobre crescer, mas sobre o crescimento de um adolescente que procura maturidade e sentimentos desconhecidos, que não tem sequer noção da vida que tem pela frente. Algumas amizades têm uma função importante na vida de cada um, algumas se tornam apenas ligações talvez até sem sentido em certo ponto da vida e outras duram pra sempre.
Com uma direção competente, uma trilha sonora que ajuda a manter o clima nostálgico, um roteiro tão simples, mas é tão bem conduzido pelo elenco que se torna brilhante. É uma pena que os cinemas brasileiros não tenham espaço para os pequenos grandes filmes que eu tanto defendo aqui. Ghost World talvez seja o melhor deles.

NOTA: 9.0

ANDRE NEGREIROS 08.10.06

MISSÃO IMPOSSÍVEL 3


MISSÃO IMPOSSÍVEL 3 ****


J.J Abrams deixa seu mais novo trabalho – a bem sucedida serie Lost, para dirigir a terceira missão do agente Ethan Hunt e sua equipe. Um trabalho que ele finaliza com maestria, fazendo do novo missão impossível, o melhor dos três.
Cansado do trabalho e dedicando-se exclusivamente a sua futura mulher, Ethan (Tom Cruise) tenta levar a vida como uma pessoa normal. Recebendo os amigos pra uma reunião ele é informado que uma colega de trabalho foi capturada enquanto buscava provas que incriminassem o vilão do novo longa Davian (Phillip Seymour Hoffmann, presença que engrandece o filme). Com uma equipe esperando de prontidão eles partem em busca da garota e acabam por ter um êxito impressionante na missão, mas eles não contavam com uma nova arma apresentada por Davian – uma bomba implantada na cabeça que explode no tempo programado. Grande técnica hein?
O filme explora muito bem essas novas armas, deixando-o sem aquela sensação incomoda de deja-vu. É um filme de ação inovador e muito bem amarrado.
Na verdade o filme começa no fim, técnica que eu aprovo em muitos filmes. É um jeito bom de se começar um longa, mostrar o suficiente para que o espectador fique com o gostinho do fim, mas sem a adrenalina do meio, e o recheio, meus caros leitores eu garanto que é muito mais saboroso.
Com uma agente a menos na equipe eles são enviados a Roma, para seqüestrar Davian em pleno vaticano. Um plano completamente bem elaborado e impecável, de verdade, seu coração vai bater muito forte nesses minutos seguintes, eles conseguem levar o malvadão para os Estados Unidos e ainda fazer com que pareça que houve um acidente fatal. O que não dá pra acreditar quando uma equipe aparece bombardeando a ponte em que eles estão – uma seqüência de tirar o fôlego, e conseguem capturar de volta seu vilão.
E agora? Eles têm algum informante infiltrado no esquema. Muitas dúvidas surgem no ar e Ethan precisa agir porque Davian seqüestra sua mulher, em troca da maleta que havia sido roubada dele. A partir daí o filme não para mais em nenhum momento. A ação come solta na tela, mas sem parecer inapropriada ou desnecessária.
Tenho de ser sincero, há muito tempo não via um filme de ação tão interessante onde a ação em si não precisasse ser o foco em questão. Acho que o ultimo filme desse porte foi A Supremacia Bourne. Com um elenco de apoio eficiente e afiado Missão Impossível 3 fecha com chave de ouro uma trilogia. Ou não né?
NOTA: 9.0
ANDRE NEGREIROS 08.10.06

Sunday, October 01, 2006

SUPERMAN - O RETORNO



SUPERMAN – O RETORNO **

´Vamos pegar, por exemplo, meu super-herói favorito – Superman. Superman não se tornou superman; Superman nasceu superman. Quando acorda de manhã ele é o Superman. E é exatamente neste quesito que superman se difere dos outros super-heróis.´
A frase aí acima foi dita por David Carradine em seu mais nostálgico momento em Kill Bill vol 2. E não é que ele estava certo! Muitos desconhecem a mitologia de Superman. Sabemos apenas que ele é um homem-de-aço que teme kryptonita. Superman é na verdade tudo isso que Carradine falou e Bryan Singer tinha de fato todas as cartas na mesa e acabou entregando o jogo antes do fim. Durante toda projeção fica completamente claro que Superman nasceu Superman, ninguém tem dúvidas disso; as dúvidas aparecem quando por que será que ninguém nunca se pergunta onde está Clark Kent quando Superman esta por perto? Mesmo quando fica dia afastado do trabalho? Ninguém entoja uma palavra. E desde quando óculos e cabelos desgrenhados mudam o rosto de alguém. É inacreditável acreditar que o expectador queira sua inteligência colocada a prova com tais elementos.
Começando com o início! Com tanta tecnologia que dispomos hoje não é plausível deixar rastros de ninharia como as que são mostradas logo na abertura dos créditos iniciais, que alem do mais é longa, sem graça e completamente inverossímil. É triste perder tempo com besteiras sem tamanho.
Superman resolve voltar ao planeta terra após de um sumiço de 5 anos, depois de ter voltado ao planeta krypton quando cientistas descobriram resquícios de sua terra natal. Sem saber que o vilão Lex Luthor saiu da prisão e busca acabar com a humanidade com o poder de cristais e kryptonita. E com toda kryptonita que dispõe pretende aniquilar o super-herói.
Lois Lane, agora prestes a receber o Pulitzer por um artigo sobre o homem-de-aço, casada e com um filho, balança o coração em seu primeiro encontro com o protagonista. Momentos românticos até que ficam interessantes nesta aventura de duas horas e meia, que passam rápido até, sendo assim presumo que o filme não seja de todo ruim, mas sem sombra de dúvidas corta o barato da platéia quando o clímax se aproxima. O momento tão esperado do filme revela-se uma seqüência de poucos minutos e não empolgam nem um pouco. Kevin Spacey como o irônico vilão inspira mais humor do que terror. Culpa de Bryan Singer? É bem provável. Ao menos ele deixou Brett Ratner nos entregar o melhor dos mutantes. Ponto pra ele neste quesito.
NOTA: 6.0

André negreiros 17.08.2006

A COR DE UM CRIME


A COR DE UM CRIME ****

É praticamente impossível eu perder algum trabalho de Jullianne Moore. Sou seu fã de carteirinha e desde então ela nunca me desapontou, a não ser por raras exceções como Jurassic Park 2 e Evolução. Também já há alguns anos ela se dedica a personagens sofridas ligadas a tragédias e dramas pessoais. Foi assim em As Horas (papel pelo qual ela merecia o Oscar), Longe do Paraíso, Chegadas e Partidas, Os Esquecidos e neste novo Freedomland, que disfarçado de suspense revela-se um grande drama.
Numa noite comum Brenda (jullianne) aparece vagando pela rua sozinha com as mãos ensangüentadas a caminho do hospital, lá ela conta que seu carro foi roubado e que o bandido a jogou para fora com força fazendo suas mãos se cortarem no chão. Quando o policial interpretado por Samuel L Jackson chega a procura de pistas do suposto roubo, descobre que o filho doente de Brenda estava no banco de trás do carro.
As buscas pelo garoto criam caos na comunidade de Armstrong, praticamente habitada por negros, que mostram toda sua indignação com o tamanho empenho da polícia. Um dos personagens até se manifesta entoando: ´Em seis meses, três pessoas morreram aqui sem a policia se importar, agora que um branquelo desapareceu botam o bairro em rebuliço.´
Os dias se passam e nenhuma pista de absolutamente nada. O policial começa a achar que Brenda sabe mais do que contou e está preste a descobrir toda a verdade, mas Brenda não se habilita a ajudar muito, seu desgaste emocional a proíbem de pensar com clareza na historia e desvendar de vez esse mistério.
Mulheres que perderam os filhos formaram há alguns anos uma equipe de resgate completamente formada por mães que dividem a mesma dor. Com sentimento e visões diferentes das da polícia elas entram na trama com um plano eficaz, algo que a polícia deveria ter feito desde o começo mas os atritos com o povo do bairro deixam o investigador em cima do muro, afinal por ser um negro dentro do esquadrão, Armstrong foi uma comunidade que ele sempre protegeu mesmo que erroneamente. Só porque o cara é meu amigo vou fechar os olhos pras burradas que ele faz?
Tentando recriar a cena do crime eles vão até Freedomland, um lugar que já foi um centro de práticas contra crianças seqüestradas e assassinadas, fazendo com que Brenda estruture em sua cabeça a chave para o fim do mistério, antes que uma guerra por conflitos raciais comece a tomar proporções gigantescas.
Samuel L Jackson sempre pronto a se entregar inteiramente a um papel, cria um de seus melhores personagens, e o que falar de Jullianne Moore, que sempre se torna mais e mais estupenda na pele da mulher sofrida.
Prepare-se, o final surpreende tanto quanto o filme inteiro, pelo simples motivo de que a verdade está escondida onde ninguém se atreve a procurar. Espetacular!
NOTA: 9.0

André negreiros 18.08.2006